9/26/2005

Plano9 - O Regresso

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Perdi a conta aos dias que o Plano9 esteve parado, por momentos temi o pior, ia ser mais um daqueles blogs que aparecem por aí e desaparecem tão depressa como surgem. Não podia deixar que isso acontecesse, afinal de contas, ver que durante a sua curta existência e sem praticamente divulgação nenhuma, o Plano9 teve cerca de 3500 visitas fez com que eu tomasse uma decisão. Dar um passo em frente, adquirir um “alojamento” e registar um domínio próprio, resumidamente, tornar a coisa mais “séria”.
A festa continua aqui:
WWW.PLANO9.COM

Não se esqueçam de actualizar os vossos links e os vossos "favoritos" ;).

9/19/2005

O Verão chega ao fim.

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Não, o plano9 ainda não morreu.
Depois de umas férias bastante interessantes (a foto do post anterior é mesmo do sítio onde estive), de várias semanas dedicadas a actividades veraneantes, de festas e mudança de casa, o plano9 regressa ao activo.
Estamos (ou devo dizer estou?) a preparar umas tantas surpresas que brevemente (uma semana no máximo) iremos divulgar. Até lá, como diria o Bon Jovi, mantenham a fé.

7/22/2005

Plano9 de férias

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Não se assustem com a ausência de novidades, chegou o Verão, o calor, etc. Estamos de férias. Prometemos, dentro de duas semanas, voltar em força e muito provavelmente de cara lavada. Estamos a preparar umas surpresas. Não se esqueçam de usar protector solar.

7/02/2005

A Nightmare On Elm Street - Total Recall

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É fascinante a forma como a memória se apodera de momentos da nossa vida e os transforma completamente. Percebi isso quando peguei na velhinha Mega Drive e a liguei à televisão da sala. A desilusão foi tão grande que jurei nunca mais pegar na porcaria da consola. Porque é que falo disto? Bom... comprei recentemente o box set com todos os Nightmare on Elm Street. Ao abrir a caixa e ver capas de cada um dos filmes fui invadido por uma enorme nostalgia, nostalgia só comparável ao receio de estragar algumas das minhas melhores recordações no que a filmes de terror se refere. Este medo associado à falta de tempo fez com que guardasse religiosamente a caixa, sem tirar um único DVD lá de dentro. Parvoíce? Talvez. Finalmente tomei coragem (e arranjei tempo) para rever os filmes. Ia meter o primeiro filme da série no leitor quando tive uma ideia, “seria interessante recordar, um a um, todos estes filmes”. Que sítio melhor para o fazer que aqui? Já passou tanto tempo desde a primeira vez que vi cada um dos filmes (o primeiro foi o que revi mais vezes) que na minha memória apenas guardei alguns flashes de certas sequências. No entanto, resiste a recordação de como foi bom vê-los na altura. Associadas também a quase todos os filmes estão outras memórias, são estas recordações, misturadas com cada um dos filmes que quero descrever aqui, sem apreciações estéticas ou referências à realização, até porque nessa altura, sabia lá eu quem era o Wes Craven. Assim, se a desilusão for muito grande ao rever os filmes, posso sempre voltar a ler isto e pensar “ah, belos tempos”.

A Nightmare On Elm Street (1984)

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Alguém se lembra da primeira vez que isto deu na televisão? Foi quando o vi pela primeira vez. Tinha uma televisão daquelas pequenas, a preto e branco, liguei-a no quarto e às escuras comecei a ver aquele que foi provavelmente o primeiro filme de terror da minha vida. Estava completamente aterrado, mas a curiosidade era mais forte. Se calhar foi uma sorte a televisão ser a preto e branco, assim, quando aqueles litros de sangue jorraram da cama, não me assustei “muito”. Nessa noite não vi o filme até ao fim, não porque tivesse ficado assustado ou porque tivesse adormecido. O que aconteceu? Deviam ser, 2 da manhã, mais coisa menos coisa, quando de repente batem à porta com toda a força, era uma vizinha que tinha acabado de levar uma tareia do marido, queria pedir para ligar para a policia. Pensar que foram os problemas conjugais dos vizinhos que arruinaram este meu primeiro confronto com filmes de terror ainda hoje me dá nervos.

A Nightmare On Elm Street Part 2: Freddy's Revenge (1985)

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Desta sequela apenas retenho duas coisas. É o pior dos 7 e tem uma cena com um autocarro escolar em cima de umas rochas. Ah, também me lembro que era para ter passado muito antes na televisão mas acabou por ser adiado. Porquê? Porque a RTP na altura fazia uma coisa genial, os filmes de sexta-feira (seria sexta-feira?) eram escolhidos consoante o número de telefonemas que fizessem para lá. Numa espécie de “Agora Escolha” (sem a Vera Roquette) metiam dois filmes a competir entre si, nunca mais me esqueci que o filme que venceu o Nightmare On Elm Street 2, foi a porcaria do Fritz the Kat. Passei a odiar o cabrão do gato (e quem votou nele).

A Nightmare On Elm Street 3: Dream Warriors (1987)

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Este terceiro filme, se não estou em erro, já o encontrei no clube de vídeo cá da terra. Anos 90, férias de verão, devorei todos os filmes de terror daquele clube de vídeo bafiento que não passava de um corredor gigante onde não se conseguiam cruzar duas pessoas ao mesmo tempo. Do filme lembro-me apenas que desta vez os “adolescentes” tentam lutar com o Freddy, que há roupas ridículas e que o Freddy usa uma luva com seringas.

A Nightmare On Elm Street 4: The Dream Master (1988)

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Este é aquele que começa com o cão que tem uma infecção urinária grave a mijar no ferro-velho? Há uma cena genial com uma das vítimas a transformar-se num insecto dentro de uma caixa com cola e a ficar desmembrada. Não me esqueci também da referência aos videojogos quando o Freddy controla uma das vítimas com uma luva que até tinha um joystick. Este apareceu no clube de vídeo uns meses mais tarde, aliás, se bem me lembro, o 3, o 4 e o 5 surgiram quase simultaneamente naquele pardieiro.

A Nightmare On Elm Street 5: The Dream Child (1989)

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Hmm… acho que uma das adolescentes é filha do Freddy, não me lembro de mais nada.

Freddy's Dead: The Final Nightmare (1991)

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Este tem uma das minhas sequências preferidas de toda a série. A mensagem “anti-droga”, quando um dos “adolescentes” fuma um charro e adormece, começam a jorrar cores para fora da televisão enquanto toca a “In a Gadda da Vida” de Iron Butterfly (descobri o nome da banda depois). Decorei também uma line, uma senhora (?) pega num ovo e diz “this is your brain”, depois parte o ovo e começa a estrela-lo, “this is your brain on drugs” de repente aparece o Freddy e bate-lhe com a frigideira. Na altura achei bastante piada.

New Nightmare (1994)

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Lembro-me de ler sobre este filme antes de o ter visto. A premissa parecia genial, o Freddy era mesmo verdadeiro e tinha ficado chateado por o terem morto para sempre no filme anterior. Para o exorcizarem tinham agora que fazer outro filme. Aparece o Wes Craven, o Robert Englund e a actriz principal do primeiro filme (fiz batota e fui ver o nome, chama-se Heather Langenkamp) representam-se a si próprios nesta espécie de filme dentro do filme. Ficou a recordação de que a ideia para o argumento tinha sido muito boa. Do filme sobrou apenas uma coisa, uma morte com uma luva robot semelhante à do Freddy, mais nada.

Agora vou voltar a vêr os filmes, provalmente vou vê-los todos de seguida, não porque façam mais sentido mas sim porque não tenho nada melhor para fazer.

6/29/2005

A Scanner Darkly (trailer)

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Richard Linklater (sim o realizador do Before Sunrise/Sunset) realiza A Scanner Darkly, baseado num conto de Philip K. Dick. Parece estranho? Para ajudar à festa, o leque de actores é no mínimo apelativo, Keanu (dude) Reeves, Woody Harrelson, Wynona Ryder, Robert Downey Jr. e outros. Pelo trailer a coisa parece estupidamente interessante, a animação sobreposta à fluidez dos movimentos reais deixa qualquer um de boca aberta. Não estaria a ser exagerado se dissesse que esta parece ser uma das propostas mais interessantes a sair dos Estados Unidos nos últimos tempos, pois não?

6/24/2005

War of the Worlds - Imagens exclusivas

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O plano9 conseguiu 18 fotos exclusivas do set do War of the Worlds, o to be blockbuster de Steven Spielberg e Tom Cruise. Um agente infiltrado? Nah. Eles têm visitas organizadas ao local das filmagens. Um muito obrigado ao Gustavo da Techzone que partilhou connosco estas imagens. Se por acaso preferirem algo em movimento, podem ver o novo trailer.

6/23/2005

Poster e teaser para Sympathy For Lady Vengeance

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Os amigos do Ain't It Cool News colocaram online um novo poster para Sympathy for Lady Vengeance de Chan-wook Park, já disponível está também um teaser. Depois de Oldboy, este final de trilogia vai ter mesmo que ser muito bom.

Germania anno zero (1948)

Parece que nos dias que correm toda a gente se queixa de falta de tempo. O plano9 não foge à regra. Afazeres escolares e profissionais roubam tempo precioso. Para perceberem que não estamos esquecidos disto (prometemos regressar em força daqui a uma semana, mais coisa menos coisa), fica aqui uma "recensão" a um dos capítulos do livro "O que é o Cinema?" de André Bazin. Trabalho escolar, pois está claro.

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André Bazin, no capítulo XIV do seu livro “O que é o cinema?”, fala-nos do papel das crianças no cinema e das alterações que esse papel sofreu com o passar do tempo. Essas alterações levaram a que se abandonasse uma estética mais “angelical” e teatral, que, segundo o autor, tinha como representante a actriz Shirley Temple, para se dar mais atenção aos pormenores tipicamente infantis como as sardas de Mickey Rooney.

Para Bazin, há qualquer coisa no rosto das crianças, que, ao se misturar com o mistério provocado pela narrativa cinematográfica, nos provoca sentimentos contraditórios. Segundo o autor, se por um lado admiramos a singularidade e pureza dos traços especificamente infantis das crianças, por outro, desejamos ficar tranquilos em relação ao mistério e esperamos sempre que os rostos das crianças projectem sentimentos, que nós, como público adulto, conhecemos bem, talvez por esses sentimentos serem os nossos. É como se o rosto ou as atitudes das crianças na tela fossem uma espécie de máquina do tempo que nos permite viajar para uma época que já não é a nossa. Na inocência e ingenuidade que a criança demonstra, existe uma identificação da nossa parte para com essas características tão típicas da infância que com o passar do tempo deixámos fugir.

Bazin afirma que são raras excepções os filmes de crianças que não se aproveitam da ambiguidade do nosso interesse por elas. Para exemplificar esta manipulação, o autor recorre ao filme “Algures na Europa” de Radványi, onde vemos uma criança a ser abatida enquanto toca a Marselhesa na sua harmónica. Segundo Bazin, esta morte, que o espectador interpreta como um acto heróico, só é passível dessa interpretação devido à concepção adulta de heroísmo.

“Alemanha, Ano Zero”, de Roberto Rossellini, surge aqui referido por André Bazin, como um exemplo de profunda originalidade e como um “remar contra a corrente” da estética manipuladora característica dos filmes de crianças.

Mas para percebermos o motivo deste exemplo temos também que perceber em que corrente cinematográfica Rossellini se insere, ou seja, o neo-realismo, uma corrente que para além do cinema também teve lugar na música e em outras formas de arte. Há nesta corrente, surgida após a Segunda Guerra Mundial e motivada por uma falta de meios técnicos e humanos, uma nova temática na linguagem, mais ligada aos problemas sociais, e na relação com o público, colocando-o noutro patamar de entendimento. Se no cinema narrativo tradicional é permitido ao espectador identificar-se com a personagem, apreender o drama vivido no ecrã e identificar-se com ele, como se fosse seu, no neo-realismo, mais que retratar a realidade, a intenção era usar o cinema como uma ferramenta para a transformar. Nas várias vertentes que o neo-realismo tomou, Rossellini defendeu a necessidade de expressar a decadência e degradação espiritual do povo, a fim de garantir a sua sobrevivência.

Para Bazin, “Alemanha, Ano Zero”, coloca de parte toda a simpatia sentimental que o espectador poderia eventualmente sentir pelo actor principal, uma criança.

A neutralidade do rosto da criança de 11 ou 12 anos, actor principal de “Alemanha, Ano Zero”, nada transparece e se conseguimos discernir os seus sentimentos, não é graças à sua expressividade facial ou comportamental, mas sim aos elementos que o rodeiam e às conjecturas que concebemos mentalmente.

André Bazin afirma ser óbvio o motor da história e o incentivo para as acções da criança, expressas nas palavras que o professor de escola nazi lhe diz, “é preciso que os fracos dêem o lugar para que os fortes vivam”. No entanto, se estas palavras funcionam como motivação para que a criança envenene um velho homem, é completamente impossível distinguir no seu rosto o que lhe vai realmente na alma. Esta situação deixa o espectador confuso, e segundo Bazin, a falta de expressividade do rosto da criança faz com que o espectador tanto possa concluir pela indiferença da criança como pela sua possível dor. O conflito interior que a criança está a sentir naquele momento não passa para fora, só a ela lhe pertence.

Para Bazin, a interpretação dos sentimentos da criança só é possível graças à própria explicação do realizador, que através de trucagens liga os elementos do filme que permitem essa interpretação. No entanto, é nos 15 minutos finais de “Alemanha, Ano Zero” que a estética cinematográfica de Rossellini atinge o seu expoente máximo. Ao longo desses 15 minutos vemos uma criança a percorrer uma cidade destruída em busca de aprovação para as suas acções e quando não encontra essa aprovação, acaba por se suicidar. Apesar do dramatismo que esta situação acarreta, a câmara, ao acompanhar a criança com os seus grandes planos, nunca revela mais que um rosto preocupado, não soubesse o espectador de antemão os acontecimentos e seria para ele impossível perceber os motivos daquele semblante carregado.

Para Bazin, a objectividade psicológica com que Rossellini tratou a sua principal personagem, estava na lógica do seu estilo. Para ele, há no cinema de Rossellini um “realismo” que nada tem de comum com o realismo que o cinema tinha tentado transmitir naquela altura. “Alemanha, Ano Zero”, não tem um realismo de estilo mas de assunto, onde as acções ficam no mesmo plano que a acção e o contexto. Para Bazin, esta capacidade de Rossellini faz com que não seja o actor nem o acontecimento a comover-nos, mas sim o sentido que o espectador é obrigado a tirar deles.

André Bazin afirma que o sentido dramático ou moral nunca é óbvio à superfície da realidade e termina com uma interrogação, “Não será uma sólida definição do realismo na arte obrigar o espírito a tomar partido sem trapacear com os seres e com as coisas?”.

Mas se, pelas palavras de André Bazin, percebemos que Rossellini se recusou a manipular os espectadores com a narrativa ou acções do actor principal, esperando que fossem eles próprios a tirar o sentido daquilo que viam, entende-se no subtexto que é quase impossível não manipular esses mesmos espectadores. Essa manipulação começa logo com a utilização de uma criança como actor principal ou com as várias técnicas cinematográficas utilizadas, que de certa forma fazem com que o espectador tire ilações mentais acerca daquilo que vê. Apesar de Bazin, com a sua interrogação final, deixar no ar a ideia de que o realismo na arte deve despertar as pessoas e fazer com que elas tomem um partido, a sensação com que se fica ao ler este seu texto sobre o filme “Alemanha, Ano Zero” é de que é inevitável, em cinema, não manipular o espectador.